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PROJETO BARREIRO: programa ambiental total

PROJETO BARREIRO: programa ambiental total.

Este projeto propõe apresentar o Barreiro, um dos riachos que compõe o sistema hidrográfico de Goiânia, e que nasce nas imediações do Centro Cultural Oscar Niemeyer, sede do MAC-GO, atravessa parte da Região Sul desta capital, indo desaguar no Meia Ponte, rio principal que a banha e abastece, com três indagações: qual é o papel da arte nesse processo? Como podemos apreender a modernidade urbana na cidade de Goiânia, diríamos, na periferia do capitalismo? Será possível pensarmos o Barreiro e a questão urbana que o envolve na chave da crítica da arte em Goiânia?

 

Ao incorporar em seu fluxo a problemática do desenvolvimento urbano, o Barreiro sofre as consequências da constante mutação da cidade. Assoreado e degradado, apesar da sua bacia ser considerada área de preservação ambiental e estar vinculada ao museu de arte, ele é apropriado como símbolo de um processo que não apenas despreza e marginaliza todo um manancial aquífero, mas torna-o invisível à população de modo a favorecer, tão somente, o desenvolvimento da indústria imobiliária.

 

Por meio de uma série de ações e intervenções performáticas realizadas ao longo de vários anos, registradas através de fotografias e vídeos, o Barreiro integra este projeto que se estende a várias outras partes da cidade, incorporando, também, o Santo Antônio, o Córrego da Cruz, o Anicuns, o Botafogo, o Areão, o João Leite, o Meia-Ponte, enfim, os 80 córregos que constituem o manancial aquífero de Goiânia, formando um vasto sistema de “vasos comunicantes”. Além de incluir pinturas, objetos e instalações feitos a partir de diversos materiais, tais como barro, água, ou até mesmo o som das águas desses riachos, esse projeto assume caráter sócio-ambiental, ao incluir também a participação das comunidades que, de uma maneira ou de outra, se servem dos recursos fluviais. Assim, busco converter o plano da cidade em um campo ampliado de discussões e intervenções.

Ao transpor os limites do atelier, a minha pretensão não é somente transformar as margens do Barreiro num lugar de intervenções fora do espaço museológico, mas converte-lo em obra de arte. Desse modo, penso em traze-lo simbolicamente para dentro do museu, inteiramente re-significado, transfigurado em algo capaz de reconstruir ligações entre passado, presente e futuro. Ou seja, neste âmbito, espero poder refletir melhor e de maneira mais ampla sobre as relações entre a arte, o homem e o meio ambiente. Se, no espaço da metrópole, os riachos permanecerem invisíveis, arrastando, entre os escombros, águas ácidas e espumentas, esquecidos em meio aos infindáveis planos de expansão do capital que, na maioria das vezes, apenas corroboram as descontinuidades, a vida, que ainda nos resta, acabará esvaindo-se completamente.

BARREIRO PROJET: total environmental program

 

This project proposes to present the Barreiro, one of the streams that make up the hydrographic system of Goiânia that beggins near the Oscar Niemeyer Cultural Center, head office of the MAC-GO, crosses a part of the southern region of the capital, going emptying into the Meia Ponte river the main that bathes and supplies the city, with three questions: what is the role of art in this process? How can we apprehend the urban modernity in Goiânia, we would say, on the periphery of capitalism? You can think Barreiro and the urban question that surrounds from art criticism in Goiania?

 

By incorporating in its flow the problems of urban development, Barreiro suffer the consequences of the constantly changing of the city. Silted and degraded, despite its watershed be considered environmentally protected area and be linked to the art museum, it is appropriated in this project as a symbol of a process that not only disregards and marginalizes an entire aquifer wellspring, but makes it invisible to the population in order to favor only the development of the real estate industry.

 

Through a series of performative actions and interventions over several years, registered through photographs and videos, Barreiro is part of this project that extends to several other parts of the city, incorporating also the Santo Antonio, the Stream Cruz, the Anicuns, Botafogo, the Areão, João Leite, Meia-Ponte, finally, the 80 streams that constitute the aquifer source of Goiania, forming a vast system of "communicating vessels". Besides including paintings, objects and installations made from various materials such as clay, water, or even the sound of the waters of those streams, this project takes social and environmental character, by including the participation of communities, that one way or another, use the river resources. So, I try to convert the city plan in an expanded field of discussions and interventions.

 

In transposing the limits of the studio, my intention is not only to transform the shores of Barreiro in a place interventions outside the museum space, but converts it into a work of art. Thus, I think of bringing it symbolically into the museum, fully re-meaning, transfigured into something able to rebuild links between past, present and future. That is, in this context, I hope to reflect better and in a broader way on the relationship between art, the man and the environment. If, in the city, the streams remain invisible, dragging, among the rubble, foam and acid water, forgotten amid the endless expansion plans of the capital that, most of the time, only corroborate with the discontinuities, life, which still remains, will eventually draining away completely.

muro invisível

GO -060
(RODOVIA DOS ROMEIROS)   
GOIANIA-TRINDADE :

lixão, Santuário do Divino,

arte popular & ex-votos, 
Córrego da cruz
Jardins do cerrado
Polo confecção. 

 

cabeceira do Barreiro

CABECEIRA DO BARREIRO - COLAGEM 2.png

Quando maneiras contraditórias de conceber a vida [Lebensanschauung] lançam os membros isolados da sociedade em enfrentamentos mortais e inspiram neles uma paixão unilateral, elas causam, irresistivelmente, o declínio [Verfall] da sociedade; no entanto, ao mesmo tempo, são forças [Kräftel

que favorecem o desabrochar da mais elevada civilização (...). Nesse terreno cresce a flor da cultura do Renascimento florentino. As qualidades totalmente heterogêneas [heterogene Eigenschaften] do idealista medieval e cristão, cavalheiresco e romântico, ou ainda clássico e platonizante, por um lado, e do pragmático mercador etrusco, pagão e voltado para o mundo externo, por outro, impregnam o homem da Florença dos Medici e nele se unem para formar um organismo enigmático [ein rätselhafter Organismus], dotado de uma energia vital [Lebensenergie] primária, porém harmoniosa."  (Didi Huberman. a imagem sobrevivente: a história da arte e tempo dos fantasmas segundo Aby Warburg; pp 66)

Creio que voce tenta mostrar com o PROJETO BARREIRO: programa ambiental total esse processo de fetichização (processo de padronização e homogeneização do capitalismo tardio na periferia) e como a reprodução da miséria penetra geograficamente, invadindo a tudo e a todos. Vejo que talvez o seu projeto aponte para objetos (simbólicos) que estão na contramão do capitalismo, ou seja, percebo que voce busca com sua obra esvaziar o trabalho de fetiche que foi realizado em relação ao Museu, as obras e à área... e tenta anunciar o trabalho real... devolvendo a real energia de volta à nascente que foi destruída.

 

( Maria Eugênia Guimarães). 

grande prêmio flamboyant de arte contemporânea (2001 - 2006)

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WELCOME

microbacida do Barreiro Go -020:
CCON (MAC-GO), Autódromo, Golf Club, condomínios de alta classe.

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PROPOSTA DE LEITURA

 

CUSTÓDIA SELMA SENA - UMA NARRATIVA MÍTICA DO SERTÃO. 

 

ANOS 70, NOVA YORK, “REVEILLON”. ARTISTAS, CRÍTICOS, INTELECTUAIS 

REUNIDOS NUMA GALERIA DE ARTE À RUA 72 (?), DENTRE ELES ANDY WARHOL E GAINSBOURG, LEEM GERTRUDE STEIN -MAKING OF AMARERICANS… ESSA É A 

IDEIA: LER: AO SOM DOS FOGOS DE ARTIFÍCIO, NA VIRADA DE 2016 PARA 2017, CUSTÓDIA SELMA SENA: UMA NARRATIVA MÍTICA DO SERTÃO (2011). 

 

LOCAL: RUA J1, Q21. L 3 - PQ. DAS LARANJEIRAS - GOIÂNIA - GOIÁS; DATA: 31/01 DE DEZEMBRO DE 2016/17; 

HORÁRIO: A PARTIR DAS 11 h; FONE : 981247101. 

 

Se as configurações ideológicas moderno/ 

tradicional não são estanques, mas fluidas, 

podemos esperar encontrar o sertão em toda 

parte, ainda que obliterado na narrativa 

civilizadora da nação. 

 

O SERTÃO, ENQUANTO PERSONAGEM DO MITO QUE NARRA A SAGA DO HOMEM BRASILEIRO EM 

SUA TRAVESSIA PARA O MUNDO MODERNO, INTRODUZ UM ELEMENTO CONTRADITÓRIO - CRÍTICO - NA NARRATIVA CIVILIZADORA DA NAÇÃO. 

 

AO ENCARNAR O OUTRO INCULTO A SER INCLUÍDO NA MODERNIDADE, O SERTÃO SERVE AOS 

DIFERENTES DISCURSOS HOMOGENEIZADORES. 

 

DIFERENTEMENTE DO ORIENTAL, QUE CLARO ESTÁ CONFIGURADO EM RELAÇÃO AO OCIDENTE, O 

SERTANEJO É “NÓS”, ISTO É, PARTE DA SUBJETIVIDADE BRASILEIRA. 

 

NÃO É COMO UM OUTRO QUE ALÍ ESTÁ, E QUE, PORTANTO, FACILMENTE PODE SER 

IDENTIFICADO. NÃO. O MODO DE SER SERTANEJO ESTÁ DE TAL MANEIRA IDENTIFICADO À 

FORMA DE VIDA DO BRASILEIRO QUE NÃO HÁ COMO SIMPLESMENTE NEGÁ-LO OU AFIRMA-LO. 

ESSA “FLUIDEZ", SEGUNDO SELMA, REVERBERA NA PRODUÇÃO INTELECTUAL E ARTÍSTICA 

CONTEMPORÂNEAS. E MESMO NAQUELES DISCURSOS QUE BUSCAM PROMOVER RUPTURAS E 

ASSIM NEGAR A DIFERENÇA, A AMBIGUIDADE SOBREVIVE; E A MAIOR PROVA DISSO ESTÁ NA 

POLARIDADE, AINDA EM VIGOR E FACILMENTE RECONHECÍVEL, LITORAL/SERTÃO. 

 

ESSA SOBREVIVÊNCIA, DE UMA IDENTIDADE DUAL, VEM SENDO APONTADA MAIS 

RECENTEMENTE POR ALGUNS AUTORES COMO JESSE DE SOUZA E CHRISTIAN DUNKER, EM A 

"TOLICE DA INTELIGÊNCIA BRASILEIRA” E "MAL-ESTAR, SOFRIMENTO E SINTOMA", 

RESPECTIVAMENTE, AMBOS PUBLICADOS EM 2015. 

 

PARA ESSES AUTORES, A LUTA DE CLASSES, HOJE, NO BRASIL É REFLEXO DA POLARIDADE 

CULTIVADA PELA TRADIÇÃO DO PENSAMENTO SOCIAL BRASILEIRO. DESDE GILBERTO FREYRE, 

NÃO HOUVE UM CRÍTICO SEQUER CAPAZ DE AVANÇAR SOBRE O CONCEITO DE BRASILIDADE 

CRIADO E DIFUNDIDO A PARTIR DO PENSAMENTO DESSE AUTOR. 

 

SELMA FAZ ISSO EM OS DOIS BRASIS: UM ESTUDO DO DUALISMO NAS INTERPRETAÇÕES DO 

BRASIL, TESE DE DOUTORADO DEFENDIDA NA UNB NO ANO 2000 E MAIS TARDE PUBLICADA, 

EM 2003 PELA UFG, COM O TÍTULO INTERPRETAÇÕES DUALISTAS DO BRASIL. 

 

LER SELMA, PORTANTO, TORNA-SE TAREFA QUASE INDISPENSÁVEL PARA QUALQUER UM, 

ARTISTA/INTELECTUAL, QUE VIVE E TRABALHA NESTE PAÍS E ESTÁ EMPENHADO EM REPENSAR 

SEUS VALORES, SUA ARTE, SUA CULTURA. 

 

SELMA NÃO APENAS CRITICA O DUALISMO ESTRUTURAL DAS FORMAS DE REPRESENTAÇÃO DA 

NAÇÃO, COMO TAMBÉM -E PRINCIPALMENTE -ELA DESLOCA O EIXO DA DISCUSSÃO, 

INSTAURANDO NO SERTÃO UM LUGAR DE FALA INTEIRAMENTE SITUADO FORA DOS GRANDES 

CENTOS HEGEMÔNICOS, ABRINDO ASSIM ESPAÇO PARA UMA OUTRA PERSPECTIVA DE PAÍS E 

DE MUNDO. 

 

ENAURO DE CASTRO 

A fantasmagoria do branco
(quase quase -cinema)

Mais... tudo parecia se concentrar nesse “mais”

O entorno parecia diluir-se... mais, repetia, 

Lentamente tragava e depois tornava a repetir: mais...

Soprava bem devagar a fumaça que subia em espirais.

EVPANA

A lenda do Paraupava tem início logo a partir de 1500, quando portugueses e espanhóis, em contato com indígenas do litoral, ouvem destes notícias de uma grande lagoa, rica em metais preciosos (ouro e prata), em torno da qual se encontravam diversos povos indígenas e de onde nasciam todos os principais rios do então território descoberto. A “notícia do lago chegou em 1549, via interrogação que fez o governador-geral Tomé de Souza aos índios”. 

A crença na existência desse lugar motivou por séculos as inserções de portugueses e espanhóis pelo interior na busca da referida lagoa, que, em virtude da diversidade linguística indígena, receberia diversas denominações, dentre elas Lagoa Paraupava, Lagoa Vupabuçu, Lacus Eupana, Lago Xaraiés, Lago Dourado, Lagoa do Ouro, Lagoa Grande ou Alagoa Grande e Laguna del Paytit. 

Vista minha camisa

o cru e o cozido

ORIGEM DO FOGO

Um dia, um homem resolveu levar o jovem cunhado para a floresta, a fim de capturar araras que haviam feito um ninho numa árvore oca. Fez o menino subir por um pau, mas, assim que chegou à altura do ninho, este mentiu, dizendo que só estava vendo ovos. Como o homem insistia la de baixo, o herói pegou uma pedra branca com a boca e jogou-a. Durante a queda, a pedra se transformou em ovo e quebrou ao cair no chão. Contrariado, o homem abandonou o herói no alto da árvore, onde ficou preso durante cinco dias.

Então, passa um jaguar, que vê o menino empoleirado, pergunta-lhe o que aconteceu, exige que lhe entregue os dois filhotes (que estavam realmente no ninho) para comer, diz para ele descer e, rugindo, agarra-o com as patas. O menino se amedronta, mas o jaguar não lhe faz nenhum mal.

O jaguar o carrega nas costas até um riacho. Apesar de estar morrendo de sede, o menino não pode beber sua água, pois, como explica o jaguar, ela pertence aos urubus. O fato se repete no riacho seguinte, cuja água é dos "passarinhos". Ao chegarem ao terceiro riacho, o herói bebe toda a água, não deixando nenhuma gota para o jacaré, dono da água, apesar de suas súplicas.

O herói é mal recebido pela mulher do jaguar, que censura o marido por ter trazido "esse menino magro e feio". Ela manda o menino tirar piolhos de sua cabeça e, quando ele está entre suas patas, assusta-o com seus rugidos. Ele reclama ao jaguar, que lhe dá de presente um arco, flechas, e enfeites, uma provisão de carne assada; manda-o voltar para a aldeia e o aconselha a acertar a carótida da mulher, se ela o perseguir. Tudo corre como previsto, e a mulher é morta.

Pouco depois, o menino ouve ruídos. São seus dois irmãos, que o reconhecem e correm para a aldeia a fim de avisar a mãe. No início, ela não acredita que o filho que julgava morto tenha voltado. Mas ele prefere não voltar imediatamente e se esconde. Aparece durante a festa funerária aikman.

Todos ficam maravilhados ao ver a carne assada que ele traz. "Como ela foi assada?" "Ao sol", responde obstinadamente o menino, que finalmente diz a verdade ao tio.

Prepara-se uma expedição para roubar o fogo do jaguar. O tronco incandescente

é trazido por aves corredoras, o mutum e a galinha-d'água; enquanto isso, atrás deles,

o jacu bica as brasas que caem no chão (Nim. 1944:181-82). (o crú e o cozido. Levi-strauss, pp, 98)

o desaninhador de pássaros. barro sobre lona crua, 220 x 250 cm, 2010

origem da carne assada. barro sobre lona crua de algodão, 220 x 250 cm, 2010

 nonada. tempera e pigmentos sobre lona crua de algodão, 2010

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